Como Perdoar: O Que a Bíblia Ensina e Como Começar
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Perdoar é decidir deixar de cobrar a alguém uma dívida de mágoa, mesmo quando a ofensa foi real e doeu. Não significa esquecer, desculpar o que foi mal feito nem voltar a confiar de imediato; significa deixar de viver refém do rancor. Para os cristãos, é um processo que começa numa decisão, se sustenta na oração e se aprofunda com o tempo, e que a Bíblia coloca no centro da vida de fé.
Resposta rápida: o que a Bíblia ensina sobre perdoar
| Passagem | Ideia central |
|---|---|
| Mateus 18:21-22 | O perdão não tem contagem; é uma atitude, não uma quota |
| Efésios 4:32 | Perdoamos porque fomos perdoados |
| Colossenses 3:13 | Suportar-nos uns aos outros e perdoar, como o Senhor nos perdoou |
| Lucas 23:34 | Jesus perdoa mesmo no momento da dor mais profunda |
O que é (e o que não é) perdoar
Muita gente adia o perdão porque o confunde com outras coisas. Convém separar:
- Perdoar não é dizer que não doeu. A mágoa foi real e pode ser nomeada.
- Perdoar não é reconciliar-se de imediato. O perdão depende de uma pessoa; a reconciliação exige duas, e a confiança reconstrói-se aos poucos.
- Perdoar não é permitir que o abuso continue. Pode perdoar e, ao mesmo tempo, manter distância e proteger-se. Em casos de violência ou abuso, procure ajuda profissional e pastoral.
- Perdoar não é um sentimento. É uma decisão que os sentimentos, por vezes, demoram a acompanhar.
O que diz a Bíblia sobre o perdão
Setenta vezes sete
Em Mateus 18:21-22 (ARC), Pedro pergunta: "Senhor, quantas vezes pecará meu irmão contra mim, e eu lhe perdoarei? Até sete?" e Jesus responde: "Não te digo que até sete, mas até setenta vezes sete." A resposta não pretende fixar um número: quer dizer que o perdão não se gere com calculadora.
Perdoados para perdoar
Efésios 4:32 (ARC) resume o motivo cristão do perdão: "Antes sede uns para com os outros benignos, misericordiosos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus, em Cristo, vos perdoou a vós." Colossenses 3:13 vai no mesmo sentido. Quem se sabe perdoado tem uma razão diferente para perdoar.
O exemplo de Jesus na cruz
Em Lucas 23:34 (ARC), Jesus diz: "Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem." É a referência mais exigente e, por isso, a mais consoladora: o perdão não é reservado a quem já está em paz, nasce mesmo no meio do sofrimento.
Como perdoar: cinco passos práticos
- Dê nome à ofensa. Escreva, com palavras simples, o que aconteceu e o que sentiu. Perdoar o que não se nomeia é impossível.
- Leve-o à oração. Diga a Deus a verdade, incluindo a raiva. Os Salmos estão cheios de queixas honestas.
- Decida perdoar. Pode ser uma frase falada em voz alta: "Decido perdoar a [nome]". Repita-a as vezes que for preciso.
- Defina limites. Decida o que muda na relação a partir de agora, e o que não muda.
- Cuide de si enquanto cura. Fale com alguém de confiança, um pastor, um padre ou um profissional. Não tem de carregar isto sozinho.
Se prefere começar pelas passagens, o nosso texto sobre versículos sobre o perdão reúne os principais com explicação.
Dois exemplos bíblicos de perdão
José e os irmãos
José foi vendido pelos próprios irmãos e passou anos longe de casa. Quando, no Egito, os voltou a encontrar com poder para os castigar, escolheu outro caminho. Em Génesis 50:19-20 diz-lhes, em resumo, que não está no lugar de Deus e que, se eles tinham planeado o mal, Deus o encaminhou para o bem. Repare que José não nega a ofensa: chama-lhe mal. O perdão dele é lúcido, não ingénuo.
O pai e o filho que regressa
Na parábola de Lucas 15:11-32, o pai vê o filho ao longe e corre ao seu encontro. O perdão precede o discurso de arrependimento que o filho tinha ensaiado. É um retrato do que os cristãos acreditam sobre Deus e também um convite: quem foi acolhido assim pode aprender a acolher.
Sinais de que o rancor está a pesar
Nem sempre percebemos que estamos presos a uma mágoa. Alguns sinais frequentes são: repetir mentalmente a mesma conversa, evitar lugares ou pessoas, sentir um aperto quando ouve certo nome, ou ter dificuldade em rezar o Pai Nosso quando chega ao pedido de perdoar aos nossos devedores. Se se reconhece nisto, não é sinal de fraqueza: é o ponto de partida. Nomear o problema já é um primeiro passo.
Perdoar nas pequenas coisas do dia a dia
Nem todas as mágoas vêm de grandes traições. Muitas nascem de uma palavra dita sem pensar por um colega, de um esquecimento de um familiar, de uma promessa não cumprida por um amigo. Treinar o perdão nestas situações pequenas prepara-nos para as grandes. Um exemplo concreto: se alguém se esqueceu do seu aniversário, pode escolher ruminar a falta durante uma semana ou dizer, em oração, "entrego isto e escolho não guardar"; depois, se fizer sentido, conversar com a pessoa com calma. Este hábito simples evita que o rancor se acumule e endureça.
E perdoar a si próprio?
Muitos cristãos conseguem perdoar os outros e não se perdoam a si. A Bíblia afirma que, para quem se arrepende, o perdão de Deus é completo; continuar a castigar-se equivale a duvidar dessa graça. Isto não desculpa o erro: ajuda a assumi-lo, reparar o que se pode reparar e seguir em frente.
Perdão, perda e tempo
Há mágoas que se misturam com perdas: a morte de alguém com quem ficámos em dívida, um afastamento que não chegou a ser resolvido. Nesses casos, o perdão convive com o luto e ambos levam tempo. Se é o seu caso, pode ajudar ler como lidar com o luto à luz da fé.
Leituras que ajudam a perdoar
Ler acompanha o processo sem o apressar. Um devocional diário dá-lhe cinco minutos de reflexão sem exigir grandes decisões; veja a coleção Devocionais. Para uma leitura mais longa sobre pensamentos que nos prendem ao passado, o livro Campo de Batalha da Mente, de Joyce Meyer trabalha a forma como os pensamentos moldam as emoções. E na coleção Livros encontra outros títulos cristãos sobre vida interior e relações.
Perguntas frequentes
Perdoar significa que a pessoa não deve sofrer consequências?
Não. Perdoar diz respeito ao seu coração, não ao sistema de justiça nem às consequências naturais dos atos. Alguém pode ser perdoado e, ainda assim, ter de reparar o que fez.
Sou obrigado a voltar a confiar em quem me magoou?
Não. A confiança recupera-se com atitudes ao longo do tempo. O perdão pode ser imediato; a confiança, não.
E se a pessoa nunca pedir desculpa?
Pode perdoar mesmo assim. O perdão não depende da reação do outro e liberta sobretudo quem o oferece, embora a reconciliação exija arrependimento de ambos os lados.
Já perdoei mas a dor volta. Falhei?
Não. É normal que a memória regresse. Nesses momentos, repita a decisão de perdoar e entregue a dor a Deus outra vez. O perdão é muitas vezes um caminho feito de recomeços.
Como perdoar a alguém que já morreu?
Pode fazê-lo pela oração, por uma carta que não chega a ser enviada ou numa conversa com alguém de confiança. Perdoar quem já partiu ajuda a fechar um capítulo que continuava aberto em si.
Conclusão
Perdoar é difícil precisamente porque é sério. Comece pequeno: uma oração, uma decisão, uma leitura. Se quiser acompanhar este caminho com um livro ou devocional, explore a coleção Devocionais e dê a si mesmo o tempo de que precisa.